sexta-feira, maio 27

Ver: Amor – Grossman e a memória do Holocausto


Ver: amor, o novo romance do escritor e pacifista israelita David Grossman foi apresentado no passado dia 23 de Maio, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa. Esta apresentação foi feita por Clara Ferreira Alves e contou com a presença do autor.
Editado pela Campo das Letras e traduzido do hebraico por Lúcia Liba Mucznik, o novo livro deste vivente de guerras conta a história de um rapaz de nove anos (Momik), filho único de uma família judia que sobrevivera ao Holocausto. Com esta pesada herança histórica, Momik vai percorrer a história, narrada pelo seu avô, procurando o humano em cada uma das suas viragens.
Como o seu próprio autor confidencia em entrevista ao Diário de Notícias, mais do que um livro sobre a morte, Ver: amor é um livro sobre a vida. A escolha do ângulo da criança sobre a guerra reflecte a ideia de Grossman, segundo a qual, todos nós, perante a guerra, somos crianças. Contar uma história sobre o Holocausto, confessa o autor, é uma forma de sobreviver à sua memória. Mesmo que implicitamente, nesta obra está ainda presente o ímpeto do abraço a um povo, o desejo de sair de uma ideia de condenação à violência, a urgência de avisar aos povos que há outro caminho, para além do ataque e da defesa.
“Romance de fôlego e de brutal inteligência”, como o define George Steiner no Sunday Times, Ver: Amor é, para além, da sua qualidade literária, um importante marco na visão de um dos mais lamentáveis horrores da História da Humanidade, bem como um incentivo à aproximação dos povos, em pleno século XXI.



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